quinta-feira, 29 de julho de 2010

Núvens e sonhos bem feitos
Ameaça chover o dia todo, mas não chove. É um faz de conta que o dia pode esfriar mais, ou então ficar mais úmido, tanto faz. Só que qual a origem de todos estes dias que mesmo de dia parecem tanto a noite? São 17:24 da tarde agora. Parecem sete da noite, e eu queria dormir, mas se dormir, vão vir os sonhos. Não gosto de sonhar durante a tarde. Gosto de sonhos bem feitos, durante a noite. O que são sonhos bem feitos? Tudo aquilo que não sejam pensamentos que ganham vida com a essência do sono. Normalmente estes pensamentos me assustam, não gosto deles. Gosto de uma simplicidade fosca da vida. Aquela que nos faz anônimos em nossos próprios sonhos. e Gosto que tudo isso seja apenas um sonho.

Cinema e monstros comedores de carne.
Ontem fui ao cinema com alguns amigos, ora, ver shrek. Acabou que assistimos um filme sobre monstros que sentiam prazer em caçar as pessoas para simplesmente arrancar-lhes a coluna vertebral (não, não especificamente a coluna vertebral,é que para mim essa foi a melhor parte do filme, quando um dos monstrengos arranca um naco de carne do 'mocinho' e que depois eu venho a descobrir que seria nada mais que sua coluna). Pensei que uma amiga minha não fosse ficar até o final do filme. Não tiro razão. Já tive um asco descontrolado de cenas de sangue (e vísceras) mas hoje tenho uma obsessão cega por tudo que é macabro (apenas nos filmes).
PS: Predadores.

Saudade
Apenas o desejo de não apenas ver, olhar, apreciar, tocar, ver se é de verdade. Simplesmente transferir qualquer sentimento de um momento só para dentro de si mesmo, alimento para meses que virão a se seguir sem absorver a essência de uma presença.

Barulho de carros
Olho pela janela da minha casa e escuto tudo, ás vezes tento prestar atenção. O barulho de carros é bem intenso mas é distante. Moro em um bairro tão silencioso. Enquanto queria estar em um bairro movimentado, escutar tudo, ter contato com a vida e, me sentir viva. Mas moro em um bairro silencioso. Me encarrego apenas de suportar. Nem sempre o silêncio cura alguma dor. Essa dor vem de se sonhar com o mundo do nada. E ter o mundo do tudo. Sem querer nada do que se tem nele.

Magnetismo

Ela puxou o vestido do guarda roupa até mesmo com uma espécie de violência quase macia, mas bonita. Tudo o que precisava para se sentir, e se sentia. se sentia agora, no chão. Mas iria levantar, caminhar e olhar para frente. Ou então levantar, e olhar para o céu. Era tudo aquilo que procurava importar; era apenas a ponte que precisava para sair de dentro daquele labirinto. Era um magnetismo que vinha não se sabe de onde, mas que sempre conseuguia puxá-la de volta para a superfície, por mais que a gravidade insistisse em a puxar para baixo. E ela sentia em suas narinas o peso do ar que respirava todos os dias. Era como se fosse água. Água entrando devagar por suas entranhas. Pesando seu peito. Jogando-na para baixo, como uma âncora. Se sentia um peso e não podia evitar. Mas aquele ímã; ele conseguia atraí-la do fundo, não permitia que ela afundasse mais. Ela tambem tinha um dentro de si, e era seu coração.
Mesmo que aquele imã estivesse matando aos poucos algo que ela queria que não morresse. Sua capacidade de pensar. Aquela parte escura, funda, encharcada de um sangue vivo e quente que pulsava ainda. Pulsava, pulsava, pulsava. Ela iria entender um dia. Que não havia dor, apenas o medo. Medo de para onde aquele campo magnético conseguiria levá-la. Foi rápida. Mas ao mesmo tempo demorou a perceber que não viveria mais sem aquela corda invisível, feita aos poucos de um material misterioso, e que tecera um eterno cordão entre um e outro. Sempre a puxava para a superfície. Muitas vezes é bom depender do que dói quase fisicamente a nos ser tirado.

Um comentário:

Anônimo disse...

esse magnetismo sou eu?