domingo, 18 de julho de 2010


Não existe nada mais leviano do que um domingo que ameaça chover o dia todo, e no final das contas não demonstra sequer um vestígio, uma gota. O dia está frio, são 18:18. Com frequência é que eu vejo as horas se repetirem, em todos os relógios. E, uma observação estranha: sempre consigo achar o número 23 em todas as horas, em todas as sequências numéricas, desde que eu assisti "número 23". Pode rir. Mas o único problema é o fato de que há mesmo, em todos os números, uma maneira de chegar no tal 23. Comecei a fazer disso um passatempo.

Hoje eu não preciso dizer como foi meu dia. Além das ameaças infundadas de chuva, eu passei uma parte do dia na casa de uma tia minha. E depois voltei para casa com uma pessoa falando bem alto, sentada do meu lado, e cheguei em casa parecendo um papel, pálida, e cheia de náuseas. Sim.Não fale alto demais perto de mim depois do almoço, eu passo mal.
A uma hora dessas meu namorado já desembarcou em São Paulo, deve estar ou muito cansado ou fazendo alguma coisa, não sei. Só sei que é tão ruim saber que ele ta longe... Acho que eu ainda não tinha calculado direito, achei que fosse sentir menos. Mas calma, é so até quarta feira.

Eu estou lendo um livro sobre ditadura militar. A história é de uma jornalista, que fica doente, e não consegue escrever. O livro usa a linguagem do medo. E isso consegue fazer com que eu sinta a história. Afinal, tem que ser assim. Nunca achei graça em livros que não fizessem as imagens e os sons passarem por nossa cabeça.
Não deveria ter escrito nada agora.

Todos nós temos uma tendencia a pensar apenas no que não precisa e agir direto no que agente precisa pensar.

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